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	<title>Núcleo UNISex</title>
	
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	<description>Universalidade e Diversidade Sexual</description>
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		<title>Do Começo ao Fim</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 17:24:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>

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		<description><![CDATA[O que caracteriza um tabu é o veto, implícito ou explícito, de sua manifestação. Do Começo ao Fim apresentou-se como um filme que tocaria na polêmica questão do incesto. Esqueceu, no entanto, de trazer a questão do veto para cena e criou um filme esvaziado de seu próprio tema. O longa ganhou bastante repercursão com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-546" title="Do Começo ao Fim" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/03/do-comeco-ao-fim1.jpg" alt="" width="269" height="400" /><br />
O que caracteriza um tabu é o veto, implícito ou explícito, de sua manifestação. Do Começo ao Fim apresentou-se como um filme que tocaria na polêmica questão do incesto. Esqueceu, no entanto, de trazer a questão do veto para cena e criou um filme esvaziado de seu próprio tema.</p>
<p>O longa ganhou bastante repercursão com o público gay pelo destaque da relação homossexual dos meio-irmãos, sendo esta expectativa confirmada na fase adulta do filme, onde o parentesco de ambos é irrelevante à trama e são esbanjadas as cenas de sexo entre os atores. Belas, as cenas satisfazem os que queriam ver alguma ação entre homens no cinema brasileiro e só choca os desavisados sobre a natureza do filme.</p>
<p>Aluisio Abranches não examina a homossexualidade, nem como tabu, nem como vivência dos personagens, abstendo-se também do que seria a polêmica secundária do filme. O que torna-se razoável, já que no universo em que se passa o filme a relação incestuosa é plenamente incomporada, tornando  sem sentido encontrar alguma oposição à experiência homossexual. Outra boa razão é que, de fato, os personagens não precisariam se identificar como gays para que se configurasse aquela relação entre os irmãos.</p>
<p>Restaria então dizer que esta seria uma história de amor, mas esta é talvez a verdadeira questão do filme. Ao alienar os personagens de qualquer questionamento pessoal ou do mundo a sua volta sobre suas escolhas, Abranches criou um ambiente estéril típico de uma obsessão e não de amor.  O único episódio de distânciamento físico (e possível impasse para a relação) é traduzido na incapacidade de existir sem o outro, num desmoronamento subjetivo. Intencional ou não, o possível mérito do filme estaria em apresentar esse desequilibro afetivo sem pautar na homossexualidade ou no incesto como causalidade.</p>

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		<title>Canções de Amor</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 17:20:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>

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		<description><![CDATA[Canções de Amor (Les Chansons d’Amour &#8211; França, 2007) Drama / Musical Direção: Christophe Honoré Roteiro: Christophe Honoré Elenco: Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Chiara Mastroianni, Grégoire Leprince-Ringuet, Alice Butaud, Brigitte Roüan, Jean-Marie Winling É interessante ver um musical com personagens com uma dose real de espontaneidade. O fato de terem sido delineados após [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-544" title="Canções de amor" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/03/cancoes-de-amor1.jpg" alt="" width="300" height="400" />Canções de Amor</strong> (Les Chansons d’Amour &#8211; França, 2007)</p>
<p>Drama / Musical</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christophe Honoré</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Christophe Honoré</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Chiara Mastroianni, Grégoire Leprince-Ringuet, Alice Butaud, Brigitte Roüan, Jean-Marie Winling</p>
<p>É interessante ver um musical com personagens com uma dose real de espontaneidade. O fato de terem sido delineados após a composição das músicas, que poderia ser um problema, acabou por torná-los deliciosamente humanos ao seguirem um fluxo meio inconstante e incoerente de reações emocionais. Afinal coerência, em particular no campo do amor, é uma característica rara e neste filme as coisas simplesmente acontecem, as emoções oscilam e poucos sabem o que realmente querem.</p>
<p>Uma certa melancolia é constante no filme e atravessa a todos, menos um personagem que justamente representa a esperança do amor novo (e não apenas um novo amor). Nos demais, quase o tempo todo aceita-se, lamenta-se ou inveja-se o amor. É como se dissessem: &#8220;o amor esteve aqui, mas já foi&#8221; (o que ganha representação material num episódio trágico, mas presente desde o começo do filme). Nesta ausência, cada um decide como lidar com o amor: não vou amar mais, vou ocupar o lugar do ser amado, etc.</p>
<p>O personagem de Garrel não sabe o que fazer com o amor (que estava aqui mas já foi) , não corresponde necessariamente aos lugares amorosos que lhe esperam (de filho postiço, de amante) e acaba por se aventurar em uma solução inesperada. Honoré consegue capturar um instantâneo do amor, mesmo que para isso precise congelar o tempo.</p>

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		<title>Milk: A voz da Igualdade</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 17:12:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>

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		<description><![CDATA[O trabalho de reconstituição da vida do ativista gay Harvey Milk feito por Gus Van Sant é minucioso e dedicado. Encontramos gravações reais da época inseridas no filme, o que o aproxima do documentário sem no entanto eliminar o espaço para criação artística. Mesmo que apresentado numa linguagem cinematográfica mais linear e palatável ao grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=2866948"><img class="alignleft size-full wp-image-539" title="Milk: A voz da Igualdade" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/03/milk-a-voz-da-igualdade1.jpg" alt="" width="270" height="400" /></a>O trabalho de reconstituição da vida do ativista gay Harvey Milk feito por Gus Van Sant é minucioso e dedicado. Encontramos gravações reais da época inseridas no filme, o que o aproxima do documentário sem no entanto eliminar o espaço para criação artística. Mesmo que apresentado numa linguagem cinematográfica mais linear e palatável ao grande público que em seus outros filmes, mais experimentais, ainda encontramos os espaços e silêncios a serem preenchidos pelo espectador. Principalmente quando o filme investiga os momentos mais íntimos da vida de Milk e dá material para especularmos sobre suas motivações, contradições e limitações: Pean e Van Sant entregam-nos um herói humano, bem longe da idealização mas, por isso mesmo, admirável e inspirador.</p>
<p>Não apenas Sean Pean, com seu merecido Oscar de ator pelo filme, mas quase todo elenco traz atuações dignas. A exceção fica por conta de Diego Luna, pouco a vontade com um personagem que oferecia várias oportunidades interpretação. James Franco,  com um papel menos expressivo, faz uma atuação bem mais consistente e significativa. Josh Brolin é outro mérito do filme, dando ao seu Dan White nuances e complexidade para que este permaneça um mistério a ser levado pelo espectador após a sessão. Emile Hirsch, está de fato adorável (como Harvey descreve Cleve Jones,  seu papel no filme) ao mostrar talento em diversas cenas, desde o diálogo em seu primeiro encontro com Harvey Milk nas ruas de San Francisco.</p>
<p>É curioso que a maior oposição à Milk no campo do ativismo político não tenha ganho uma atriz, mas apenas em imagens da verdadeira Anita Bryant através de suas declarações em vídeo. Pode-se imaginar que a razão seja  que enfrentamento dos dois aconteceu por vias  indiretas, na arena política, mas acredito que há outras razões para esta escolha acertada: a oposição com fervor religioso que vemos no filme só não ganharia a acusação de ser caricata se exposta através dos protagonistas históricos daqueles fatos.</p>
<p><strong>Comprar em</strong> <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=2866948">DVD</a> <strong>ou</strong> <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5191&amp;tipo=25&amp;nitem=2721584">Blu-Ray</a></p>

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		<title>Big Brother e Visibilidade GLBT</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 00:45:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
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		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
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		<description><![CDATA[senso comum ou um pouco mais&#8230; (Hoje, sem papo psi!) Não assisto Big Brother Brasil acho que desde a sua 3ª ou 4º edição&#8230; Não tenho muitas informações para fazer uma análise em retrospectiva de todas as edições, mas me arrisco a trazer algumas impressões iniciais deste primeiro momento, no iniciozinho da nova edição do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-558" title="Big Brother" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/bigbrother.png" alt="Big Brother" width="583" height="270" /></p>
<h3>senso comum ou um pouco mais&#8230;</h3>
<p><em>(Hoje, sem papo psi!)</em></p>
<p>Não assisto Big Brother Brasil acho que desde a sua 3ª ou 4º edição&#8230; Não tenho muitas informações para fazer uma análise em retrospectiva de todas as edições, mas me arrisco a trazer algumas impressões iniciais deste primeiro momento, no iniciozinho da nova edição do programa.</p>
<p>No início do BBB, como todo brasileiro viciado em televisão, acompanhava as edições, votava no site para colocar alguém pra fora, torcia e tinha meus favoritos e seguia o jogo, na dicotomia bem maniqueísta do “bem” contra o “ma”l. Sou da geração que foi criado na frente da telinha da TV e não na frente do computador, como essa nova geração do YOUTUBE, Orkut, Facebook e afins&#8230; e me envolvi, na condição de telespectador, nesse movimento cultural (inter)nacional que se tornou os reality shows, verdadeiras “caixas de Skinner” onde se experimenta como num laboratório, as múltiplas facetas da natureza humana – e suas “performances”.</p>
<p>Em alguma edições – não saberia dizer se em todas – havia pelo menos um representante gay, seja “assumido” ou não. Lembro-me do André Gabeh, que ficou meio “em cima do muro”. Tivemos o Jean Willys que foi, provavelmente o que ficou mais em evidência, até hoje sendo uma representação forte, por trazer consigo uma formação universitária e intelectual associada a um discurso de afirmação do direito ao respeito e à cidadania. Até hoje ele é uma representação importante aqui na Bahia.</p>
<p>Teve o psiquiatra “urso” Marcelo, que, se não me engano, acabou se destacando mais pela sua forma de jogar que pela sua orientação sexual. O que é interessante, se pensarmos no que significa ter uma ter uma “cota” de gays no BBB, assim como se tem cotas de negros, nordestinos, pobres&#8230; Ter GLBTs nas edições do BBB é uma questão de cotas? &#8211; pergunto eu. Sendo, tem um lado positivo, pois mostra o desejo geral da comunidade GLBT em se lutar pela inserção dos homossexuais nos espaços públicos, garantindo direitos iguais de oportunidades. Por outro lado, fica parecendo uma coisa tosca, meio politicamente correta, um tanto caricata, como sempre me parece essa questão de cotas. (Polêmica!!!)</p>
<p>A atual edição do BBB me desperta curiosidade, em pelo menos dois aspectos:</p>
<p>1)     Número “expressivo” de representantes assumidos da comunidade GLBT (2 gays e 1 lésbica).</p>
<p>2)     Por, desde o começo, já haver uma classificação em grupos (ou tribos):  coloridos, sarados, belos, cabeças, ligados&#8230;</p>
<p>No primeiro ponto, acho que talvez seja um passo importante no que diz respeito à questão da visibilidade, ao trazer um número maior de representantes em sua diversidade. Por outro lado, me faz parecer que a “cota” aumentou em representatividade e diversificou, incluindo o “L” do GLBT. O que está por traz desse aumento na “cota”? É realmente uma questão de dar visibilidade ao movimento GLBT? Objetiva fortalecer as discussões sobre a luta por direitos a casamento, adoção, à luta contra homofobia&#8230; ou será apenas mais uma jogada de marketing e uma tentativa de se ampliar as possibilidade de “análise combinatória de casais”, com direito a selinhos entre homens e mulheres, casais, <em>ménage</em>&#8230; Homens e mulheres super sexys e gays felizes para animar as festas&#8230;</p>
<p>Sérgio, paulistano, universitário, “emo” (ou algo do tipo, talvez um tanto transgênero&#8230;), que traz uma imagem do jovem feliz e “bem criado” que recebe o apoio dos pais, que curte moda, festas, que é “modernoso” e segue As da moda musical, fashion, e que cria um personagem para si mesmo, o Sr. Orgastic, que segue os passos de Andy Worhol em busca de seus 15 minutos de fama, ou do Michael Alig, do filme Party Monster,  da cultura clubber, kid club. Que vive a noite em busca de FAMA, SUCESSO e GLAMOUR.</p>
<p>Dicesar, maquiador, quarentão, maquiador, drag queen&#8230; Recentemente, ao trazer a experiência do primeiro bolo de aniversário aos 40 anos e ao falar da vinculação com a mãe, traz uma imagem menos glamourosa, (embora como drag seja um arraso!). A profissão de maquiador segue um pouco do imaginário coletivo de que homossexual ou é cabeleireiro, ou maquiador, quando não é travesti&#8230; Dicesar ao atuar como drag-queen traz um simbolo do movimento GLBT, marcado pelo  bom humor, pelo deboche, pela alegria gay. Ser drag é uma profissão, uma  performance artística, que às vezes é vinculada à imagem da travesti, ou da  transexual &#8211; estando no prisma &#8220;trans&#8221;, mas que traz consigo peculiaridades  próprias que é importante considerarmos.</p>
<p>Sérgio e Dicesar representam bem o protótipo gay do imaginário coletivo. Representação que certamente tem procedência, pois faz parte da diversidade que constitui a comunidade GLBT e suas mais múltiplas manifestações. Eles trazem representações da comunidade gay, a drag e o transgênero, que nos  apontam para formas antigas e novas, atualizações e releituras, no espaço  &#8220;entre&#8221; os sexos masculino e feminino, numa configuração híbrida do  homem-mulher, que geralemnte está presente no imaginário coletivo, nas  representações e estereótipos sociais sobre o homossexual.</p>
<p>Angélica, que ao que me parece é a primeira representante  lésbica assumida, jornalista e cheia de ideais de realização pessoal e profissional,    não segue o estereótipo “caminhoneira sapatão”. Uma mulher “normal” que, se não dissesse que era lésbica, aparentemente passaria batido. Invisibilidade lésbica? Talvez! Seja porque preferimos não ver o não querermos ver e que está na nossa frente, seja porque a homossexualidade não é algo sempre óbvio que está estampado em nossas testas.</p>
<p>No caso do lesbianismo, sua invisibilidade que trás consigo uma sutileza que talvez seja própria das mulheres, ou não! Uma forma se ser e se comportar que não coloca a sexualidade como principal rótulo identitário, por integrar mais facilmente a multiplicidade de papéis&#8230; Será? As mulheres não precisam afirmar o tempo todo sua feminilidade&#8230; Os homens precisam? As feministas provavelmente já devem discutir um bocado essa questão, ancoradas em categorias de gênero, papéis sexuais, opressor-oprimido, repressão sexual das mulheres, etc etc&#8230; Se até Freud admitia saber pouco da sexualidade feminina, é porque talvez tenha algo a mais que escapa a nossa compreensão&#8230; (Papo psi!)</p>
<p>O segundo ponto, os vários grupos, as várias tribos, constituídas a priori como que selecionando os grupos por características que, sinceramente, não dizem nada e são artificiais. Rótulos são artificiais e o movimento grupal é muito mais dinâmico e diverso que categorias classificatórias. O mais comum é que todos interajam e estabeleçam vínculos através de outros elementos, às vezes mais sutis e subliminares&#8230; Malhar um bocado pode ser um tema em comum entre os sarados, a homossexualidade e a homofobia pode ser um tema que emerja e traga consigo uma expectativa e um alerta, mas não necessariamente são elementos que norteiem uma identificação e constitua um elo, um laço forte de cumplicidade.</p>
<p>Participar de uma tribo não inviabiliza o trânsito nas outras. O transito é cada vez mais comum nos nossos tempos, em que nos vemos cada dia mais como estrangeiros e poliglotas. Falamos várias línguas, transitamos por vários contextos, encenamos vários papéis e somos múltiplos&#8230; somos uma unidade pluri-identitária, globalizado e aculturados, seguindo modas, modos e criando novidades.</p>
<p>Tanta novidade causa espanto e meio que nos desconcerta, quando esperamos que cada coisa esteja no seu lugar, cada um na sua casinha, de palha, madeira ou tijolo, como os porquinhos das histórias infantis. Vem o lobo mau e derruba tudo no sopro – ou no trator! Podemos adotar um pensamento como o do Dourado, que numa conversa na piscina com o Sérgio, de que heterossexual é heterossexual, homossexual é homossexual, e que homem que beija homem ou mulher que beija mulher não é heterossexual, ou precisa criar uma nova categoria – o que confunde as caixinhas e os rótulos&#8230;  E pensar na possibilidade de o primeiro casal gay da casa ser constituído por um homem e uma mulher! Que panacéia!!!</p>
<p>Nada nessa vida me surpreende e acho que tudo é possível nesse mundo cada vez mais incerto e cheio de dúvidas, pela ruptura cotidiana dos velhos modos definidos de ordenamento social. Dá nó na cabeça? Dá! Mas o que seria de nossos cérebros se não fossem o emaranhado de neurônios interconectados e sempre dispostos a novas conexões sinapticas?!</p>
<p>Esse meu papo nada a ver, beirando o senso comum, bem resenha do BBB&#8230; muita coisa a se pensar, sem dúvida. Sem teorias, mas com um olhar atento a essas novidades que a TV ainda nos mostra, construindo realidades fugazes e etérias, fantasias concretas que constroem estilos, tendências, gerações&#8230;</p>
<p><em>Beijo a todos e “me liga, tá?!” ;)</em></p>
<p style="text-align: right;"><a rel="nofollow" href="http://www.freedigitalphotos.net/images/view_photog.php?photogid=721">Imagem: renjith krishnan / FreeDigitalPhotos.net</a></p>

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		<title>Homossexualidade e Família</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 16:39:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[A família é, sem sombra de dúvidas, o contexto primeiro de nossa construção identitária. É o contexto onde se dá nossos primeiros processos de socialização, os primeiros passos para nosso  desenvolvimento enquanto pessoa e cidadão. Em geral é na família que aprendemos e constituímos nossa personalidade, através da assimilação de valores, crenças e modos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-561" title="Família" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/familia.png" alt="" width="583" height="270" /></p>
<p>A família é, sem sombra de dúvidas, o contexto primeiro de nossa construção identitária. É o contexto onde se dá nossos primeiros processos de socialização, os primeiros passos para nosso  desenvolvimento enquanto pessoa e cidadão. Em geral é na família que aprendemos e constituímos nossa personalidade, através da assimilação de valores, crenças e modos de se comportar. Família essa que não se constitui apenas de pai, mãe e irmãos biológicos (família nuclear), incluindo também todo tipo de cuidadores, de educadores, de pessoas que nos ajudam a dar nossos primeiros passos na vida, nos ensina a falar, comer, nos vestir, caminhar.</p>
<p>Creio que um dos principais dilemas do homossexual em se “afirmar” como tal é o ter de se assumir diante da família, em busca de <strong>aceitação e apoio</strong>. Aceitação e apoio é o que espera, para que possa continuar caminhando e vivendo, enfrentando desafios e dilemas no mundo, nos outros contextos sociais. A “família ideal” é aquela onde encontramos apoio e confirmação, onde somos aceitos como somos, onde encontramos forças para continuar vivendo e crescendo. A “família real”, no entanto, nem sempre condiz com essa expectativa, constituindo-se também como um contexto de desafios e embates que, nem por isso, deixam de ter uma função de crescimento e aprendizado.</p>
<p>Em minha experiência clínica, no atendimento tanto de homossexuais como heterossexuais, me deparo pessoas que vivenciam cotidianamente conflitos familiares, que sentem o peso da falta ou do excesso de carinho, proteção, cobrança, etc, etc&#8230; Me dou conta de que não existe família perfeita. Todas as famílias são imperfeitas, assim como todos nós somos imperfeitos, frutos dessas famílias. Somos imperfeitos pois estamos sempre diante de impasses e dilemas e conflitos que nos requerem capacidade de adaptação e ajustamento, que nos obrigam a viver de forma dialética, negociando, fazendo escolhas e concessões, respeitando diferenças e tentando exercer a auteridade. A família é o outro que nos constitui e é constituída por nós. Ela nos cria através de seus ensinamentos, expectativas e vivencias, e se constitui por nós, por nossas ações e presença, e em nós, nos sentidos e significações que criamos dela.</p>
<p>Na família descobrimos os papéis de menino e menina, homem e mulher, pai, mãe, irmão, irmã, filho, filha&#8230; todos com seus respectivos repertórios correspondentes. Na família se configura as primeiras classificações e divisões de ocupação, os lugares de ser no mundo.  Entretanto, na vida, descobrimos que esses lugares não são fixos, e podemos transitar em diversos papéis, senão inteiramente, parcialmente. Os rótulos identitários não são mais tão rígidos, embora permaneçam como referenciais, como um modelo, um esquema básico, que nos ajuda a compreender um ordenamento do que seria uma “família”.</p>
<p>Assumir-se homossexual significa colocar em cheque algumas crenças em relação ao que “é” do homem e da mulher, o que é do esperado no ciclo “natural” da <strong>reprodução</strong> da vida – nascer, crescer, (casar), <strong>procriar</strong>, envelhecer, morrer -, ao que se espera sexualmente desses dois pares de papéis sociais sexuais. Assumir-se homossexual é romper, pelo menos provisoriamente, com o ideal de perpetuação de uma família constituída por pai, mãe, filhos. É romper com a concepção de casal constituído por homem e mulher, e com seus complementares passivo-ativo, caçador-coletor, matrizes arcaicas da socialidade. Essa compreensão de família que tem como fim a reprodução da espécie é posta em cheque, apontando-se para a “desnaturalização” do humano, para sua condição como ser de cultura e vontade, capaz de transgredir e reformular os modos de vida.</p>
<p>Afirmar-se gay ou lésbica é dizer, a princípio, que não viverá segundo o natural e o convencional, que irá experimentar uma forma nova de casamento e família, que não a esperada. Sim, experimentar uma <strong>nova forma de casamento e família</strong>.  Pois casar e constituir família não significa que os pares sejam de sexos diferentes. A matriz dessas duas instituições são – ou deveriam ser – o amor, o companheirismo, a aceitação e o apoio mútuo. Para se constituir um casal é necessário esses elementos. Para ajudar no cuidado, na criação e educação de uma outra vida – um filho – é necessário isso. A medida desses elementos pode variar, mas a presença desses elementos são essenciais.</p>
<p>Para um jovem homossexual se assumir, ele precisa desses elementos, precisam se sentir amados, aceitos, apoiados, acompanhados, para que não percam suas referências identitárias, para que não se sintam completamente desenraizados e sós, para que não entrem em desespero por ausência de referenciais. Entretanto, isso é um ideal, pois nem toda família é perfeita&#8230; Há famílias que não proporcionam a segurança, a aceitação e a confirmação para que se cresça e se saiba quem se é, de onde vem e para onde vai. Nem toda família serve como guia para a vida, e às vezes se precisa construir esses referenciais ao longo do caminho tortuoso da vida, abrindo caminhos no meio da floresta. Esse trabalho solitário pode ser vitorioso, mas deixa marcar profundas nas formas de viver, de amar, de apoiar, de cuidar de si e do outro, nas nossas formas de se construir em casal e família.</p>
<p>Vivemos hoje um mundo cada vez mais marcado pela solidão e pelo individualismo. Esse modo de vida é um sintoma de uma época cada vez mais presente, de uma conjuntura que nos aponta para a falta de raízes, de referências, de vínculos. Isso vale para todos que experimentam um desligar-se da vida em família.  Retorna-se a uma vivencia errante anterior à tribo, em que cada um se vê solto nas florestas &#8211; de asfalto – lutando pela própria sobrevivência individualmente. A família, idealmente, é o lugar do abrigo e da segurança, da constância, da acolhida. Longe da família, se é estrangeiro.</p>
<p>Assumir-se homossexual é correr o risco de se tornar estrangeiro, de desabrigar-se, de ir para a vida lutar pela própria sobrevivência. Esse risco pode ser extremamente importante para o crescimento e amadurecimento da pessoa, da aquisição de autonomia e exercício da liberdade&#8230; e deixa marcas.</p>
<p>Somos marcados na vida pela dialética entre ser individual e coletivo. A família é matriz da sociedade, é a escola onde aprendemos a ser humanos sociabilizados, educados para a convivência. Após um certo momento, somos jogados na vida coletiva para sermos indivíduos, livres e autônomos, em busca de nossa própria realização pessoal, e em busca de um encontro para vir a constituir uma nova família, nova matriz de sociabilidade, retomando o ciclo. Assumir-se homossexual é romper esse ciclo ou estar nele de outra forma, experimentando outros caminhos, criando novas matrizes, reconfigurando a sociedade.</p>
<p>Isso tudo é um ideal, e uma realidade. Assumir-se homossexual é correr o risco de viver outros caminhos e o mesmo caminho. Assume-se não apenas para si, mas para toda a sociedade, começando pela família. Assume-se uma nova forma de ser família, uma nova forma de ser homem e mulher, menino e menina, filho, filha, irmão, irmã&#8230; Tudo muda e continua sendo o que se é, numa transformação que nos dirige para o ser nós mesmos. Não podemos ser outra coisa senão nós mesmos e tentar ser outra coisa não é possível, a não ser encenando-se um papel que não nos assenta bem, que nos aperta e nos causa muito sofrimento.</p>
<p>Quem se assume homossexual espera apoio, amor, aceitação e respeito. A família é o primeiro lugar onde se espera isso, pois sempre será o primeiro lugar onde aprendemos a ser nós mesmos. Família que não é a nuclear e biológica, mas que é local de crescimento. Ao longo da vida podemos viver e construir famílias, vivenciar esse sentimento de vinculação e identidade. É o nosso movimento humano de ser e viver em grupo, em comunidade, em coletividade. Não esperamos nada além disso. <strong>Viver com</strong> o outro, <strong>conviver</strong> na multiplicidade de quem somos e escolhemos ser em nossos encontros no mundo.</p>
<div style="text-align: right;"><a rel="cc:attributionURL" href="http://www.flickr.com/photos/lusobelga/">Imagem: &#8220;Our family II&#8221; por lusobelga</a> no Flickr <a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/">CC BY-NC 2.0</a></div>

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		<title>Universalidade e Diversidade Sexual “entre” Militância, Ciência e Vida</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 12:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-563" title="GLBT" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2010/01/glbt.png" alt="" width="583" height="270" /></p>
<p>Às vezes fico pensando sobre o meu lugar enquanto pessoa e profissional, no que diz respeito a minhas reflexões relativas às questões relacionadas à homossexualidade e à comunidade GLBT como um todo. Tendo a manter uma perspectiva que, para quem lê os artigos, está entre a vivência pessoal e o olhar do profissional, tentando me manter no campo da observação da vida cotidiana, vivida e relatada pelas pessoas com quem convivo nos meus diversos contextos. Ao adotar essa perspectiva, me coloco um pouco a margem do que se dá no campo da militância política e das discussões &#8211; e polêmicas – da comunidade GLBT, entretanto estou atento, recebendo e-mails de grupos de militância da Bahia, que discutem as questões que se dão no âmbito político na esfera nacional.</p>
<p>Considero importante refletir sobre a multiplicidade do fenômeno das “homossexualidades” em suas múltiplas dimensões: sociais, políticas, econômicas, ideológicas, culturais. Acho também de fundamental importância, considerar outros tantos fatores e contextos: as relações estabelecidas no âmbito da família, da escola, da comunidade, dos ambientes religiosos, dos espaços públicos. Acho importante considerarmos que as questões GLBT dizem respeito à vida cotidiana em suas mais diversas formas de manifestação e atualização. Em termos científicos, tentar abordar qualquer fenômeno seria praticamente uma tarefa impossível, mas se não for assim, estaremos sempre caindo em reducionismos arbitrários. Qualquer abordagem sobre a questão da(s) homossexualidade(s) deve levar em consideração a multiplicidade e diversidade do fenômeno, considerando-o múltiplo e multifacetado, dinâmico e, principalmente, existencial.</p>
<p>Os espaços da militância e da ciência talvez sejam os principais espaços de articulação de um discurso político e cultural que, esperamos, tenha repercussões sobre as práticas cotidianas, sobre a vida. O campo da vida, no entanto, é mais múltiplo e dinâmico que qualquer discurso, é a realidade se dando a cada momento, se ajustando, se fazendo, transgredindo e construindo formas de ser e existir. A militância e a ciência andam um passo atrás, são sempre menores que a vida, fazem parte dela, como uma das suas formas de acontecer. Às vezes os discursos que são construídos não condizem com nossa real forma de ser no mundo, são idéias e abstrações, que muitas vezes estão longe da nossa experiência. Porém a NOSSA experiência é a minha e a dos muitos outros. E esses outros caminham juntos a vida, cada um de sua forma, cada um experienciando de forma distinta a sua própria sexualidade, sofrendo e gozando dores e prazeres diversos.</p>
<p>Na vida, os homossexuais são mulheres, homens, transgêneros, ativos, passivos, ecléticos, travestis, brancos, índios, negros, asiáticos, estrangeiros, urbanos, interioramos, pobres, ricos, classe média, católicos, evangélicos, praticantes do candomblé, ubanda, espíritas, mulçumanos, ateus, operários, comerciantes, estudantes, cientistas, roqueiros, eruditos, pagodeiros, ecléticos, bichas, gays, lésbicas, bissexuais, HsH, queers, sapatões, sapatilhas, ursos, barbies, atléticos, sarados, magros, altos, baixos, bonitos, feios, “normais”, mães, pais, filhos, primos, tios, jovens, adultos, idosos, loiros, morenos, ruivos, asiáticos, etc&#8230; etc&#8230; Tamanha diversidade fala da diversidade do humano, e não diz respeito apenas à homossexualidade. A combinação desses múltiplos fatores compõe um campo de identidades múltiplas, um campo de experiências possíveis que se dão nas vivências do individuo comum.</p>
<p>Ao olhar para esse indivíduo comum, precisamos estar atentos à sua multiplicidade e sua totalidade, à sua universalidade e à sua localidade no espaço, num tempo, numa cultura e nas aberturas possíveis de troca e intercâmbio, de trânsitos que sempre se coagulam no singular universal.  Pensar assim é talvez estar dentro-fora dos espaços da política e da ciência. Ambos, a meu ver, são espaços que visam respostas pragmáticas – embora nem sempre sejam úteis e efetivas – constroem ideais e saberes que visam a transformação de um mundo que está, já, sempre, em transformação constante. Lutar por leis, direitos, por novos significados e ressignificados da vida e da realidade, se dá um passo atrás da vida e da realidade. Vida e realidade se processam no agora de cada instante.</p>
<p>Certamente que dizer isso é procurar briga com cientistas e militantes, que reivindicarão seus devidos lugares e valores, como agentes de mudança e transformação dessa realidade e vida no aqui e agora. Eu mesmo, em parte, sou cientista e militante, e escrever esse texto é um exercício de reflexão política e científica, ao mesmo tempo que é uma ação. Pensar e refletir são ações sobre o mundo, ações na vida presente construindo realidade e atualidade. Assim retomo o começo deste texto, em que questiono meu lugar como pessoa e profissional. Esse é meu lugar, dentre tantos outros. Apenas mais um. Refletir sobre nosso lugar no mundo e na vida é o que nos cabe para vivermos e criarmos vida e lutar.</p>

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		<title>Quando um relacionamento chega ao fim</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 15:48:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
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		<category><![CDATA[divórcio]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[separação]]></category>

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		<description><![CDATA[Luiz Fernando Calaça O fim de um relacionamento, em geral, não é uma coisa fácil.  Creio que é importante compreender o processo enquanto processo, considerando os fatores diversos que levaram a esse desfecho. Quando vemos um casal se separar, ficamos constrangidos, surpresos, desorientados, não nos dando conta de que este talvez seja a melhor maneira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-557" title="Separacao" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/11/separacao.png" alt="" width="583" height="270" /></p>
<p>Luiz Fernando Calaça</p>
<p>O fim de um relacionamento, em geral, não é uma coisa fácil.  Creio que é importante compreender o processo enquanto processo, considerando os fatores diversos que levaram a esse desfecho. Quando vemos um casal se separar, ficamos constrangidos, surpresos, desorientados, não nos dando conta de que este talvez seja a melhor maneira de se recomeçar uma nova história e seguir em frente aberto a novas possibilidades de ser feliz.</p>
<p>Ao longo de minha não muito longa experiência clínica, me deparo com a predominância de pessoas que vêm para a psicoterapia em função de conflitos no relacionamento. A postura adotada por elas, em geral, é de queixa em relação ao outro e pouca percepção de si, como co-responsável pelo bem estar da relação. O outro está sempre errado e eu sou sempre a vítima. Eu deixei de fazer coisas por ele ou ela, e não sou reconhecido. Eu me anulei por ele/ela.</p>
<p>Há conflitos ainda na fase de namoro, quando se percebe uma “incompatibilidade” de gostos, e uma dificuldade de aceitar que o outro é diferente e não corresponde a nossas expectativas, de que, na verdade, ele ou ela não me completa. Esperar que o outro me complete é a pior miséria que pode acontecer numa relação. Eu sou eu e o outro é o outro. Somos diferentes, e que bom que somos diferentes, pois assim descobrimos o novo.</p>
<p>Pessoas perfeccionistas se irritam com a bagunça do outro. Pessoas comunicativas se incomodam com o silencio e a pouca comunicação do outro. Pessoas monogâmicas se incomodam com a poligamia do outro. Sempre nos incomodamos com o que o outro nos trás de diferente daquilo que consideramos como nossas qualidades, não nos dando conta de que, aquilo que no outro apontamos como defeito, é justamente o que nos falta, a polaridade que não percebemos como constituinte de nós mesmos, nossa sombra, nosso eu alienado.</p>
<p>O outro nos mostra o que não queremos ver em nós mesmos, nossos pontos cegos. E, por não ver, nós nos batemos, entramos em conflito, nos desgastamos no atrito da tentativa de concertar o outro e transforma-lo em um alguém mais parecido com nós mesmos. Puro narcisismo!</p>
<p>Creio que, em geral, esse é o principal fator que leva a separação: a tentativa de transformar o outro em algo que ele não é, ou a tentativa de nos transformarmos em algo que acreditamos que o outro queira que sejamos. A existência autentica de nós mesmos e do outro, e as expectativas frustradas, por na podermos ser quem somos nem deixar o outro ser quem é.</p>
<p>Quanto ao próprio processo de separação, já acompanhei diversas fases desse processo, desde 1) as brigas preliminares, que envolvem a tentativa de adequação um do outro, às vezes perdendo a medida e indo para ofensas mutuas, cada um apontando o defeito do outro, uma coisa horrorosa que envolve muita mágoa e agressão; 2) as separações de corpos, em que o casal se separa e deixa de manter vínculos sexuais, podendo permanecer coabitando, tentando não se envolver diretamente um na vida do outro – o que quase nunca acontece, e sempre há algum tipo de desconforto, principalmente quando há a possibilidade de estabelecimento de novos relacionamentos; 3) a separação legal, quando há os conflitos com a partilha de bens, guarda de filhos, etc.  Essas três fases – creio que talvez hajam mais – se enquadram principalmente no caso de relacionamentos no formato de casamento, em que se constrói um patrimônio, em que se divide uma vida a dois.</p>
<p>Tanto nos namoros como nos casamentos, há uma esperança última de se manter a relação até às ultimas conseqüências. Às vezes pelo simples desejo que permanecer numa relação, mesmo que insatisfatória, às vezes por ciúme e possessão, por não querer ver o outro livre e preferir viver um inferno a dois.</p>
<p>Às vezes, quando há filhos envolvidos, ou quando um dos parceiros depende financeiramente do outro, há uma tendência a se conformar com a relação insatisfatória, tendo em vista certos ganhos secundários, como a manutenção do padrão de vida, a presença dos pais na vida dos filhos e medo de os filhos ficarem “traumatizados”, etc. Assim a relação fica estagnada, numa dinâmica de prazer-desprazer, conforto-desconforto, em que algumas necessidades são satisfeitas e outras negligenciadas. O crescimento de um ou dois dos membros do casal é prejudicado, levando a um estado de infelicidade que pode durar décadas.</p>
<p>Qual a solução para essa situação? Às vezes é a separação. Toda separação envolve perdas e ganhos, compreende uma fase de ruptura e crise, mas se abre como uma oportunidade de abertura para novas possibilidades de auto-realização, de recomeço e de busca por ser feliz. Nem sempre – pra não dizer nunca – se sai ileso do processo, mas é importante ter a clareza do aprendizado que advém da experiência.</p>
<p>Se pode aprender sobre o viver e conviver com a diferença, com as expectativas que criamos acerca de uma relação e do outro, que nem sempre serão satisfeitas, das possibilidades de se aprender a negociar espaços de partilha e individualidade, de construção e co-construção de projetos. O importante, em todo o caso se separação. A meu ver, é tentar aprender a olhar os dois lados da moeda, as perspectivas das duas pessoas envolvidas na relação, a responsabilidade compartilhada por ambos nos rumos da relação e, principalmente, o respeito.</p>
<p>Quando trazemos essa questão para o campo da homossexualidade, em minha experiência pessoal e clínica, vejo que as coisas não são diferentes. Os mesmos conflitos e expectativas que perpassam a relação heterossexual se faz presente nas relação homossexuais. Às vezes o que pode diferir são as expectativas culturalmente criadas em relação às performances de casais gays e lésbicas, quando a fidelidade, dependência financeira e papéis sexuais, a serem desempenhados, que, no final das contas, não difere muito das expectativas de papéis sociais e sexuais do homem e da mulher como um todo. Assim como nos casais heterossexuais com filhos, o número cada vez mais crescente de casos de homoparentalidade – em suas diversas configurações &#8211; traz as mesmas questões no que diz respeito aos impactos da separação sobre os filhos. Há, em geral, mais semelhanças que diferenças.</p>
<p>Olhando em perspectiva, não vejo o processo de separação nem como positivo, nem negativo, mas como necessário. Quando já não há mais possibilidades de se encontrar um estado de harmonia mínima na relação, que permita o crescimento dos pares e da família, em suas individualidades e inter-subjetividades, creio que a separação é o caminho do recomeço, do voltar a respirar e do apropriar-se de suas responsabilidades para com a própria vida.</p>
<p>Separar é, muitas vezes, o desfecho necessário, de formas simbióticas, confluentes e, às vezes, psicóticas, de relacionamento, que embotam o potencial individual, em favor de uma ilusão de felicidade que aliena o desejo, os projetos e a humanidade do outro.</p>
<p>Namorar, casar e conviver ainda são, no entanto, formas saudáveis de conhecer a si e ao outro, de construir e criar, de realizar-se com um outro como parceiro de viagem na vida. Aprender a fazer isso só é possível fazendo no viver. Aprendendo com os erros, errando e buscando soluções criativas para questões cotidianas. Experimentar amar é sempre uma aventura.</p>
<p style="text-align: right;">Imagen: <a href="http://www.oldbookillustrations.com" rel="nofollow">Old Book Illustrations</a></p>

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		<title>Coluna do Cesar</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 15:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Augusto Bachega</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Oie&#8230;&#8230;&#8230;.. voltei&#8230;&#8230;&#8230; Antes de mais nd, preciso dizer q hj tô carente e um pouco indignado e mais, a minha proposta de escrever sobre os personagens vai ficar um pouco pra depois d novo&#8230;&#8230;.. não to com saco!!! &#8230;&#8230;&#8230;. não estou inspirado *espero q tenha melhorado* rsrsrsrs Bom, vamos lá&#8230;&#8230;&#8230;.. estou eu, lindo *pelo menos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-587" title="Internet" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/10/internet.png" alt="Internet" width="583" height="270" /></p>
<p>Oie&#8230;&#8230;&#8230;.. voltei&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p>Antes de mais <abbr title="nada">nd</abbr>, preciso dizer <abbr title="que">q</abbr> <abbr title="hoje">hj</abbr> tô carente e um pouco indignado e mais, a minha proposta de escrever sobre os personagens vai ficar um pouco pra depois <abbr title="de">d</abbr> novo&#8230;&#8230;.. não to com saco!!! &#8230;&#8230;&#8230;. não estou inspirado *espero <abbr title="que">q</abbr> tenha melhorado* rsrsrsrs</p>
<p>Bom, vamos lá&#8230;&#8230;&#8230;.. estou eu, lindo *pelo menos eu acho!!* e carente, pego uma pizza e uma coca (dessa vez é cola, rsrsrsrs) vou pra <abbr title="casa">kza</abbr>, entro no bate papo e começo a conversar afim de bater papo, ter pessoas <abbr title="que">q</abbr> saibam conversar (e vou procurar no bate papo né!!!! Ainda, acho <abbr title="que">q</abbr> vou encontrar, só eu!!!, enfim&#8230;)  e vou revendo akeles anúncios do tipo &#8216;machão, discretão, plantadão, passivão, ativão, gostosão&#8217; *ai penso, eles esquecem do idiotão né!!!* &#8212;&#8212;&#8211; uma dúvida!!! <abbr title="Por que">Pq</abbr> aumentativo é pra macho e diminutivo é pra fêmea??? &#8212;&#8212;&#8212; bom&#8230;&#8230;&#8230; continuando&#8230;&#8230;&#8230;. ok, paciência!!!! <abbr title="Cada">Kd</abbr> um com seu objetivo na sala&#8230;&#8230;&#8230; até <abbr title="que">q</abbr> entra um assim &#8220;noite seria&#8221;,  entonces, <em>yo pienso</em> (<abbr title="que">q</abbr> espanhol de divisa, né!) &#8230;&#8230;. oba!!!! esse deve saber conversar&#8230;&#8230;&#8230;. ai vem seu primeiro anúncio <em>&#8220;ola boa noite alguem afim de um papo serio lago serio de verdade sem enrolação&#8221;&#8230;.</em> já deu uma brochada, mas enfim&#8230;&#8230;&#8230; depois o segundo <em>&#8220;sei que é complicado&#8221;&#8230;&#8230;&#8230;</em> oba, ta melhorando&#8230;&#8230;.. o terceiro <em>&#8220;mais estou aqui&#8221;</em> (tem um errinho, mas ok, é net, olha como eu escrevo!!!)&#8230;&#8230;&#8230;. ai ele solta <em>&#8220;sou discreto, pplantado, sério&#8221;&#8230;&#8230;</em> *mesmo já sacando a intenção, eu disparo*&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. &#8220;eu to afim de conversar&#8221;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. e ele responde <em>&#8220;fala&#8221;</em>, logo em seguida, <em>&#8220;tc d onde&#8221;</em>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. (ah não, o mesmo roteiro, <abbr title="ninguém">ng</abbr> merece!!) mas fui tentando, até chegar no <abbr title="Microsoft Messenger">MSN</abbr>&#8230;&#8230;.. trocamos MSN e não houve mais papo. Amém <abbr title="Jesus">jisuisu</abbr>!!!!</p>
<p>Então vêm as questões <abbr title="que">q</abbr> povoam essa mente aflita e especialmente carente <abbr title="hoje">hj</abbr>!!!!</p>
<p>O discretão, plantadão (mais do <abbr title="que">q</abbr> uma árvore centenáaria!!!) só ker enrolação e sexo fácil como a maioria (<abbr title="nada">nd</abbr> contra, <abbr title="muito">mto</abbr> pelo contrário, mas <abbr title="hoje">hj</abbr> eu queria conversar!!!), sendo assim, nobres colegas, qual a dificuldade e o <abbr title="porquê">pq</abbr> de se esconder os reais interesses&#8230;&#8230;&#8230; voltando ao papo do dentro do armário&#8230;&#8230;. não sei lidar com isso&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p>Qual a vantagem de esconder as reais intenções? Ou de camuflá-las?</p>
<p>Bom, não <abbr title="muito">mto</abbr> feliz com meus questionamentos, existe uma segunda pessoa <abbr title="que">q</abbr> começo a trocar idéias no MSN&#8230;&#8230;.. idéias essas, legais e interessantes por serem bem diferentes das minhas &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. eu sempre acredito no ser humano, independente de sua orientação sexual, seu rótulo, estereótipos ou coisa do gênero, aliás, <abbr title="hoje">hj</abbr> recebi um email falando do meu signo <abbr title="que">q</abbr> a primeira frase era assim &#8220;Não se deixe levar pelo preconceito&#8221;&#8230;&#8230;&#8230; <abbr title="que">q</abbr> é <abbr title="tudo">td</abbr> pra mim&#8230;&#8230;&#8230; então a construção social por de trás do <abbr title="que">q</abbr> um homem, uma mulher, uma criança, um gay, um hetero, um bi, uma travesti, um transexual ou <em>whatever</em> não me importa&#8230;&#8230;&#8230; é mto interessante <abbr title="que">q</abbr> eu saiba <abbr title="que">q</abbr> isso existe e eu sei!!!!!   e mais, tenho a consciência <abbr title="de">d</abbr> <abbr title="que">q</abbr> é essa historicidade e rótulo construído por detrás desses papéis sociais que me fazem tentar enxergar mais do <abbr title="que">q</abbr> o papel <abbr title="que">q</abbr> historicamente representamos, é o indivíduo, é o ser humano!!!! E <em>ser</em> humano não é <em>estar</em> humano, entende a diferença dos verbos?? Acreditar na igualdade dos rótulos que carregamos é &#8220;<em>estar</em> humano&#8221; e ser um indivíduo no sentido literal da palavra é um &#8220;<em>ser</em> humano&#8221;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; ai, pessoas dirão (<abbr title="você">c</abbr> é <abbr title="que">q</abbr> alguém entende e/ou lê essa m**** aki!!) os dois se misturam, sim!!!! Eu sei!!! Mas eu, não vou acreditar no <em>estar</em> humano, antes de tentar desvendar o <em>ser</em> humano <abbr title="que">q</abbr> existe por detrás de <abbr title="você">vc</abbr>!!!! Entende a diferença??? (espero <abbr title="que">q</abbr> sim!!! Juro!!!)</p>
<p>Ok, ok, ainda vou tentar lutar por pessoas mais ser humano que não tenha vergonha/medo ou <abbr title="qualquer">qq</abbr> outro sentimento <abbr title="que">q</abbr> a faça estar humana quanto a sua sexualidade&#8230;&#8230;. adoro gays bem resolvidos, despachados, e que não se importam com terceiros!!!! Gosto dos outros <abbr title="também">tb</abbr>, mas ele são mais difíceis de lidar, tem <abbr title="que">q</abbr> ter mais paciência e <abbr title="hoje">hj</abbr> eu to completamente sem!!!!!</p>
<p><em>Bye bye for now!!!!</em></p>
<p>Lusho!!! Até revisei o texto!!!!  (só o <abbr title="que">q</abbr> tinha <em>underline</em> vermelhinho) <abbr title="risadas">kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk</abbr></p>
<p style="text-align: right;">Imagem:<a rel="cc:attributionURL" href="http://www.flickr.com/photos/jaunis/"> Jaunis on Flickr</a> / <a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">CC BY-NC-ND 2.0</a></p>

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		<title>A Aliança de Prata</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 20:47:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[aliança]]></category>
		<category><![CDATA[casamento]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
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		<category><![CDATA[prata]]></category>
		<category><![CDATA[simbolismo]]></category>

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		<description><![CDATA[simbologia, relacionamento e sexualidade Lendo a coluna do César, me chamou atenção um aspecto que, já a algum tempo, desperta a minha atenção: a aliança de prata. De fato, ao menos aqui em Salvador, ela se constitui como um símbolo e um elemento de identificação, ou do gay em geral, ou do gay que está [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-550" title="Aliança" src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/10/alianca.jpg" alt="Aliança" width="300" height="300" /></p>
<h3>simbologia, relacionamento e sexualidade</h3>
<p>Lendo a coluna do César, me chamou atenção um aspecto que, já a algum tempo, desperta a minha atenção: a aliança de prata. De fato, ao menos aqui em Salvador, ela se constitui como um símbolo e um elemento de identificação, ou do gay em geral, ou do gay que está namorando. Passa como um elemento de identificação daquele que faz parte dessa grande tribo que é a comunidade GLBT. Entretanto, creio eu, não é um símbolo compartilhado por todos. Nem todo gay ou lésbica usa aliança de prata, mas, quem usa, tem uma grande possibilidade de ser “do babado”.</p>
<p>Já me peguei algumas vezes olhando atentamente para as mãos de pessoas que me parecem “suspeitas” buscando identificar se está usando a bendita aliança.</p>
<p>Me dou conta, no entanto, que não é um artigo exclusivo dos gays, mas que é um elemento identificador, pelo menos, de que a pessoa que a usa é “alternativa”. Valendo, de certo modo, o sentido alternativo do relacionamento entre as pessoas que usam da mesma aliança. (Traduzindo: casais que usam aliança de prata são “alternativos”).</p>
<p>Conheço casais heterossexuais – até que se prove o contrário – que usam alianças de prata. São casais que não oficializaram a relação no cartório ou no religioso. Tempos atrás se diria que são “amigados”, “concubinatos”, ou, numa terminologia mais chula, “emancebados” (não sei se é assim exatamente que se escreve esse palavrão, mas eu bem poderia substituir pela opção dada pelo dicionário do Word: “emancipados”).</p>
<p>Em todo o caso, me parece que o uso da aliança de prata distingue a relação oficializada, socialmente, registrada e sacramentada, com véu, grinalda, padre e arroz. Os relacionamentos que seguem o script são agraciados com a aliança reluzente de ouro, que nunca mareia, que é eterna e brilhante, até que a morte os separe ou troque pelas alianças de bodas de prata, ouro, esmeralda ou diamante.</p>
<p>Os relacionamentos “alternativos” ficam com a de prata, que mareia, perde o brilho. Penso no valor desse símbolo e no que ele traz, em si, um sentido. É o símbolo ao mesmo tempo de uma transgressão, de um espírito alternativo e liberal, mas também pode ser compreendido como um símbolo de inferioridade quanto ao valor social do relacionamento, seja ele entre casais heterossexuais que não se casam oficialmente, seja pelos gays, lésbicas e LGBTs&#8230;</p>
<p>Fico refletindo nesse símbolo, que como os triângulos rosa, surge como um elemento de identificação dos gays, mais ou menos velados e explícitos, para aqueles que se valem desse adereço, e depositam nele um sentido, e para aqueles que identificam o significado nele depositado. Fico pensando comigo se também esse não seria um símbolo que nos distingue socialmente como uma classe menor. (Penso por exemplo no valor dado, décadas atrás, ao anel de formatura, que era um símbolo de distinção social e que fazia com que aquela pessoa que o portasse fosse socialmente reconhecido como um “bacharel”).</p>
<p>(Meu avô, reza a lenda familiar, era um vendedor ambulante, daqueles de porta em porta, que vendia confecções a prestação. Apesar do status social baixo, para o padrão da família, ex-soldado, semi-analfabeto, usada um anel de brilhante no dedo mínimo e tinha uma caneta Parker – símbolos de status na época.)</p>
<p>Reflito sobre esses pontos, em torno da aliança de prata, sem ser eu antropólogo, historiado ou ourives, penando no significado desse objeto, que ele ou dedos das mãos de diversas cores e sexos, servem como elemento de identificação do gay ou do casal homossexual ou “alternativo”. Fico pensando em nas possíveis alternativas que por ventura existam, diante de um atual contexto em que o relacionamento ainda não é reconhecido – às vezes ignorados verdadeiramente diante da sociedade, ou, em situações piores, discriminados com agressão e homofobia.</p>
<p>Penso também no valor que os próprios gays dão ao relacionamento, na confiança (ou desconfiança) diante da possibilidade de viver um relacionamento verdadeiramente nutridor e de parceria, que é ou pode ser eterno enquanto dura. Talvez alimentemos nós mesmos uma idéia de efemeridade das relações, marcadas pela transitoriedade e, por isso, temos um símbolo que não é duradouro em seu brilho. Talvez sejamos visionários, estejamos na verdade a frente de nosso tempo – que já é – e tenhamos nos dado conta de que o casamento é uma instituição falida e que o amor não é eterno. Mas, mesmo assim, lutamos pela legalização do casamento gay, seja pelos direitos civis dele decorrente, seja pelo sonho romântico que aspira uma casamento com véu, grinalda, arroz e aliança de ouro.</p>
<p>Talvez devêssemos prestar atenção em nossos sonhos e nossas atitudes, nos símbolos que criamos, nas crenças que reproduzimos em discursos e atos. No final das contas, falam sobre nós, sobre quem somos e quem desejamos ser.</p>

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		<title>Confira programação do Universidade fora do Armário</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 14:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Núcleo UNISex</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[armário]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[debate]]></category>
		<category><![CDATA[eventos]]></category>
		<category><![CDATA[ufba]]></category>
		<category><![CDATA[universidade]]></category>

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		<description><![CDATA[De 13 a 16 de Outubro estará ocorrendo na UFBa o evento Universidade fora do Armário, com debates, oficina, seções de cinema comentadas e encerramento com a Festa Colorida, no DCE-UFBA. Confira os detalhes da programação clicando no folder abaixo para ampliar. Organização: Grupo Kiu!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De 13 a 16 de Outubro estará ocorrendo na UFBa o evento Universidade fora do Armário, com  debates, oficina, seções de cinema comentadas e encerramento com a Festa Colorida, no DCE-UFBA.</p>
<p>Confira os detalhes da programação clicando no folder abaixo para ampliar.<br />
Organização: Grupo Kiu!</p>
<p><a href="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/10/programacao-UFBA.jpg"><img src="http://nucleounisex.org/wp-content/uploads/2009/10/programacao-UFBA-500x377.jpg" alt="Programacao UFBA" title="Programacao UFBA" width="500" height="377" class="size-large wp-image-520" /></a></p>

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